30.12.11

a pedido de alguns... [quase todos]

* * *
porque alguns já protestaram para não verem, as janelas às escuras, antes da noite de reis...
porque as iluminações de rua não nos vão deixar, às ditas escuras, antes dessa noite...
porque haveriam tantas outras razões para enumerar aqui.

e embora os nossos caminhos devam manter-se bem iluminados com ou sem esta janela mágica voltada para esta rua da cidade... estou certa que ela continuará iluminada dentro de cada um de nós!

todos concordam que este calendário de adventos possa iluminar, de dia e de noite, por mais uns dias, esta rua da cidade?

24.12.11

*25 de dezembro*


feliz árvore do advento. as folhas desta árvore voltam-se todos os dias para a luz que brilha lá fora. e em dezembro, neste mesmo dezembro, vinte e quatro janelas habitadas. vinte e quatro dias que fomos revelando com entusiasmo aqui no blog. um calendário de adventos recriado nas janelas de uma casa. nesta casa que respira e continuará a respirar no coração da cidade. um calendário voltado para esta rua da cidade. que poderia também ser a tua cidade. um calendário que brilhou de dia e nos encantou de noite. e que assim continuará a fazer, até dia trinta e um de dezembro, com esta árvore de adventos. mas outras janelasAdentro poderão se abrir para todos nós. um calendário que desejou os bons-dias e que se deitou desejando a todos as boas-noites. e nestas vinte e quatro janelas foram diversos os desejos que se projectaram. que se desdobraram em múltiplas vontades para acontecer um dia. desejos que existem em cada um de nós. desejos que vivem para existir em todos nós... e vamos continuar a desejar e a acreditar em todos eles. sonhar deveria ser tão natural como respirar. a todos vocês, que semearam desejos junto desta árvore de adventos, um terno e profundo obrigada. as minhas janelas ganharam nova vida. nova razão para continuarem a olhar curiosas as pessoas que habitam ou simplesmente passeiam pela cidade. um obrigada pelo carinho. pela partilha dos vossos desejos. simplesmente uma palavra: obrigada* 

*24 de dezembro*

autor. João Gomes
título. Fragmentos às Escondidas


[técnica mista]

Fragmentos, Elementos soltos de uma aldeia, rua, casa...
Vistos pela fechadura ou por uma janela, para um interior repleto de Sonhos e memórias.Às escondidas quando se brinca com a ilusão de desaparecermos ou nos mascararmos, para passarmos despercebidos e assim criar surpresa...Fragmentos escondidos de brincadeiras de crianças.


texto de: João Gomes

23.12.11

*23 de dezembro*

autora. Ana Rita Cunha
título. Lê a Lã



[técnica. costura e bordado]




Bordar palavras bonitas sabe-e bem... escrever com fios... fica a mensagem de lã para o inverno que se avizinha... Brilha, sonha, ama, dá, floresce.


texto de: Ana Rita Cunha

22.12.11

*22 de dezembro*

autor. Ricardo Lopes
título. Que haja música no advento


[técnica. olaria e modelação]

Que haja música no advento
Faça-se ouvir pelo ano fora
Encontres ou não o que procuras, que haja música no caminho,
Vás a pé ou de bicicleta, 
parado também se sente o sol no seu solene e circular andamento.
Música no olhar e no reflexo, música no balanço do corpo, valsa ou salsa,
gingar é bom …
Música para embalar a tristeza, ajuda quando não puderes sair do momento, como a água que alterna compassos nos telhados e guarda-chuvas das nossas histórias.
Que ecoem colcheias nos colchões,
notas amantes em todas as línguas e direcções , vivam os abraços e os amassos de corpo inteiro.
Que haja música nos silêncios da memória de quem já partiu, será sempre nossa a sua saudade, a verdade é que nunca chegam a partir, levam e  deixam um bocadinho de…
Música também para quem ainda não chegou e aguarda no burburinho harmónico das barrigas ressonantes e seus habitantes, essas ainda futuras crianças que ouvem  JJJohnson ou  Zé da Velha debaixo de cada pedra,
Música para os abandonados, indigente é quem não sente , 
escutem  a música que os pássaros nos dão de graça e sem hora marcada, patrocinando o nosso articulado silêncio, a música que os apaixonados ouvem em uníssono, 
a música dos nossos passos, embalando a Vida como o mar faz às suas estrelas, 

e o vento aos seus moinhos, 
por aqui, por ali  e em todos os seus caminhos
morna samba ou fado
haja música em todo o lado…
que o ano não será o mesmo sem a que ouvirás nesse dia..

texto de: Ricardo Lopes

21.12.11

*21 de dezembro*

autora.  Ana Caldas
título. A porta do mistério



[técnica. composição digital com imagens de peças de joalharia]


"A porta do mistério" pertence à minha colecção de Joalharia de 2009, uma peça singular, umas das minhas preferidas, desenhadas e produzidas por mim, em prata; pode ser um pendente, um alfinete, o que quiserem, cheio de revelações e desejos. 

Para esta "árvore do advento" coloquei esta peça na órbita do mundo, juntamente com os brincos/aeronaves "Entardecer" sobrevoando a majestosa via láctea.

Atravessar esta porta é o grande desafio para todos nós, agora e sempre, significa derrubar toda a dúvida e dispersão, aplicar toda a multiplicidade, ao mesmo tempo adquirir uma verdade própria, uma certeza, uma mestria no mundo. 

Que assim seja e sejamos muito bem vindos! 

texto de: Ana Caldas

19.12.11

*19 de dezembro*

autora. Sara Moreira da Costa
título. Quatro estações




[técnica. recorte em papel]

Queria que as quatro estações voltassem, vivas, esplendorosas nas suas diferenças que tanto as distinguem e nos enfeitiçam... Queria que as alterações climáticas, provocadas pela ganância e inconsciência de uma má gestão de recursos, não privassem o que resta da minha vida da percepção de uma natureza em mutação e em constante renovação. 

Gosto das estações plenas, do Inverno e do Verão.
É bom sentir o frio do Inverno no olhar fustigado pelas chuvas gélidas, pelas cores azul-cinza que parecem transportadas pelos dias ventosos que atravessam árvores despidas. Encanta-me pensar que é este o "habitat" natural do tempo de Natal em que a magia das bolas vermelhas do azevinho se vem juntar ao brilho dos enfeites artificiais de um pinheirinho que representa o eterno retorno ao aconchego da infância. è o tempo do gato dormente ao quente.

O Verão revela-se pela intensidade do calor que nos ofusca a vista e contrai a pele... As cores são intensas, amarelo, brancos luminosos, vermelhos, azuis cobalto e celeste, maçãs e pêssegos, a andorinha a esvoaçar e o gato novo, que já aprendeu a trepar, fica empoleirado na macieira a observar...

Encantam-me as estações intermédias...

O Outono aparece como uma explosão de coloridos "fauves". Vermelhos, laranjas, amarelos, castanhos tomam conta do nosso olhar. As folhas parecem estar a chamar pelo vento que, pouco a pouco vai despindo as árvores... As bolotas dos carvalhos prometem fantasias e enfeites e a andorinha despede-se em direcção ao Sul. O gato aproveita os raios ainda mornos de um sol dourado.

Na Primavera a natureza cresce com os dias. À música do vento nas frágeis folhas das bétulas, junta-se o canto dos pássaros na construção dos ninhos e as borboletas a saltitar. As árvores gomam, os verdes são intensos e os azuis são suaves. Há uma explosão de aromas, as flores despertam e pontilham a natureza com as cores do arco-irís. A andorinha está de regressa e o gato está expectante...

texto de: Isabel Viana

18.12.11

*18 de dezembro*

autor. José Machado
título: Profanas pantufas


[materiais: pele, linhas, lã sintética]


"No movimento singular de um pequeno pé profano
vislumbro a graça profunda de um corpo que dança..."




peça para venda: preço.40€
mais informações: zemachadomail@gmail.com

17.12.11

*17 de dezembro*

autora. vÂniA kOstA
título. tenho um poema na minha mão...

[técnica. composição com "objectos memória" (espelho, desenho a tinta da china, pássaro, lápis, ornithophone) sobre cartão pintado e costurado]


na mão poderia ter um bilhete de comboio... como tantos que guardei. viagens que fiz. lugares onde gostaria de voltar. hoje, em vez disso, ao abrir os olhos tenho na mão pequenos objectos. olho-os de novo. e tal como esses bilhetes outrora me levaram até lugares, com estes mesmos objectos viajo. olho de novo para eles. toco-lhes com os olhos das pontas dos meus dedos. sinto-lhes o toque e a essência de que são hoje feitas as suas formas acarinhadas pelo tempo. as suas silhuetas ganharam um significado especial pelas histórias que senti e vivi, ora pelas memórias que um dia me foram passadas pela mesma voz que continua a contar-me histórias. a partir desse instante, passaram a ser também minhas, essas memórias. e desejo que muitos instantes assim possam continuar a existir e a acontecer. um testemunho passado de geração, ora na luz quente de uma lareira, ora debaixo da sombra de uma laranjeira. e um dia, quem sabe, estarei também eu nesse mesmo lugar. a dar continuidade a estas viagens. e tal como o ciclo de vida de uma simples semente, esta “semente memória” possa germinar e crescer. que possamos, também nós, depois de tanto tempo, continuar a existir. na eterna esperança de estarmos presentes junto de quem amamos mesmo que nunca os possamos vir a conhecer. 
e através destes objectos, desejo encontrar esses lugares e voltar a sentir, de todas essas vezes, próxima das raízes da minha mão. das linhas que se interligam e de que sou escrita.
tenho um poema na minha mão. 
sou o poema da minha mão.
numa, tenho estes “objectos memória”. na outra, guardo desejos. desejos para amanhã. para o dia a seguir. para o outro dia que há-de vir. respiro fundo. junto as mãos. procuro fundir estes desejos nas silhuetas destes objectos. estes aqui que hoje têm casa própria onde morar e que com eles continuo a encontrar o caminho para esses lugares por onde viajo e me encontro...
[um espelho que reflecte uma memória. um eu que continua a existir e que se reconhece na forma que o tempo, na sua beleza de existir, abraça e cuida. e uma luz que se projecta até um lugar. que se difunde em cor por todo o lugar. em todas as formas ou superfícies que habitam cada um desses lugares. lá fora e cá dentro. um pássaro que veio voando de terras longínquas. um lápis arco-irís que guardo para me ajudar a colorir os dias cinzentos que também têm o seu lugar para existir. um ornithophone pertencente ao avô e que vivia num dos seus bolsos. com ele o avô ensinava os pássaros a cantar. e com ele continuo eu a entender a linguagem dos pássaros. trazem-me histórias. levam outras. contam-me segredos. guardam os meus segredos. e espalham a música do mundo que nos habita. e girando este pequeno objecto inicio o cantar secreto dos pássaros... ]

texto de: vÂniA kOstA

16.12.11

*16 de dezembro*

autor. João Catalão
titulo. GUELRA o encontro solsticial de Garnata e Damião

[técnica. transfiguração sobre objecto, 2011]
(cavalo antigo e sete fitas de Bonfim dobradas)


A figura do cavalo foi um desenho recorrente da minha infância. Um cavalo desafinado, onde a quase apreensão da cabeça e da curvatura vertebral até à cauda se conjugava com a deselegância do torso  e da inflexão das patas. Deixei por isso muitos cavalos inacabados. Que flutuavam depois libertos do peso desse corpo tosco que os refreava. Este cavalo vermelho sangue representa assim uma resolução pessoal longamente aguardada. E uma anunciação de agigantamento. Resolução enquanto respiração solsticial  e identidade militantemente poética. Anunciação a partir da transfiguração coreográfica feita na cauda com fitas do Bomfim cor de laranja. A cor que sucede em 2012 o azul-turquesa nas anilhas dos pombos-correios em Portugal. A cor levante na paisagem alteada a partir da sua caligrafia orquestral tão significativamente oceânica. Na quarta semana de gestação o embrião humano tem outra elasticidade. Tem guelras como os peixes. E um rasto de estrelas como cauda.

texto de: João Catalão, Dezembro 2011

15.12.11

*15 de dezembro*

autor. Eduardo Costa
título. "O eu do meu eu"


[técnica. máscara em cartão]


Simboliza uma procura que se prolonga na vida, a busca do horizonte que se pressente para além do horizonte. A constante incerteza do conhecimento; próprio e do outro.

Quem está atrás da máscara sou eu, ou sou eu uma máscara que esconde um outro eu? Ou procuro o meu eu em cada máscara que uso?

Na fragilidade da nossa "nudez" usamos máscaras que nos permitem enfrentar, sem pudor ou acanhamento, os constrangimentos, de toda a ordem, com que nos vamos confrontando.

Em mais um ano que vai surgir, procuro encontrar um pouco mais de mim...



O que procuro?
De um lapso de tempo
mais pequeno que o infinito,
procuro, em cada momento,
como náufrago dum tormento.
aquilo em que acredito.


Corro alucinado, sem saber porquê,
na ânsia de encontrar porto seguro.
Por vezes,mais cego do que quem não vê;
e,vezes sem conta, pergunto-me: - Porquê?
Sofregamente busco o fim do futuro.


Coragem me falta. Talvez a vontade.
E, por linha cruzadas, caminho pendente;
perscrutando, em mim, a real verdade
deste sentir de medo e de saudade.
Sentindo eu o que o outro eu sente.


texto de: Eduardo Costa

14.12.11

*14 de dezembro*

autora. Kerstin Thomas
título. sem título


[técnica. escultura em madeira de castanho e pinho]


Vizinha,
estás à janela
com o teu
olhar maroto...

Guarda e partilha
a minha vida,
sê meu espelho,
meu conselho;
e deixa-me ser
tua vizinha,
também.

texto de: Kerstin Thomas



peça para venda: preço. 150€
para mais informações: atelierdacerdeira@yahoo.com

13.12.11

*13 de dezembro*

título: Um dia...apanho uma Estrela-------☆


[técnica. aguarela sobre papel]
Um dia...
Um dia vou voar e ver o Mundo lá de cima...
Um dia, vou apanhar uma Estrela...
Um dia vou nadar com os Golfinhos e ver o fundo do Mar...
Um dia vou realizar todos os meus Sonhos!
Um mundo onde tudo é possível, basta Sonhar! Inspirei-me na minha filhota de ano e meio que olha o mundo com olhos lindos, expectantes, grandes e atentos, de quem descobre a Beleza e a novidade da vida em cada pequenina coisa pela primeira vez.

texto de: Sara Teixeira




peça para venda: preço. 60€
para mais informações: sarat.lua@gmail.com

12.12.11

11.12.11

*11 de dezembro*

autor. Sérgio Coutinho
título. Pensamentos métricos
[técnica. fotografia e digital]


O nascimento de uma teoria.
O que tem isto a ver com o Natal?
Pensamentos que procuram a harmonia.
O que tem isto a ver com o Natal?
Um retângulo que sendo regra se não quis sozinho.
O que tem isto a ver com o Natal?
Partindo de um denominador comum se foram encontrando os aliados.
O que tem isto a ver com o Natal?
Acompanhado de outros, o retângulo de ouro,
faz hoje parte de um quinteto construtivo.
O nascimento de uma teoria!
Um ponto que se acrescenta ao conto.


texto de: Sérgio Coutinho


10.12.11

*10 de dezembro*

autora. Cristina Vilarinho
título. Vamos mudar a história!
[técnica. desenho a grafite e photoshop]


Eu, Euro, Europa = Economia.
Que raio de projecto europeu é este que se rege pela palavra "Economia"?
E ainda por cima uma concorrência desleal em que os países integrados partem com condições e ferramentas diferentes.
Temos de mudar de paradigma, é hora de invertermos os papéis, mudar comportamentos, acordarmos, deixarmos de ser as ovelhinhas brancas que o lobo mau tanto gosta de manipular.
Parece que os ideais de Revolução Francesa continuam por atingir e são urgentes:
Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

texto de: Cristina Vilarinho